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Até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e os insumos fornecidos ao Brasil, isso corresponde por 95% do total recebido pelo Brasil e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil. Infelizmente  o Brasil deixou de investir nessa parte que é de suma importância para nossa saúde principalemnte nesse momento de pandemia. Os insumos são recursos imprescindíveis para a produção de um produto ou prestação de um serviço. A disponibilidade e a qualidade desses insumos, tais como equipamentos e materiais de saúde, são cruciais para os processos de trabalho dos membros da equipe de saúde, estando diretamente ligados ao desempenho e aos resultados dessas equipes.

INSUMOS E MATÉRIA-PRIMA SÃO A MESMA COISA?

A resposta é não. Por mais que os dois conceitos ainda sejam utilizados muitas vezes como sinônimos, a verdade é que suas definições são diferentes e têm impacto também diferente no dia a dia entre profissionais da área da ciência, da pesquisa, da saúde. Assim, entender o que é e as diferenças entre insumos e matéria-prima é fundamental para que nenhum detalhe passe despercebido na gestão e traga problemas sérios a saúde brasileira. Vamos começar explicando o significado de matéria-prima. De maneira resumida, podemos entendê-la como todo o material que está agregado no produto e que é empregado na sua fabricação, tornando-se parte dele. Em outras palavras, são, por exemplo, os componentes de um respirador pulmonar ou as substâncias ativas de um medicamento ou para desenvolvimento de uma vacina seja de qualquer origem como vegetal, animal, mineral ou químico.

O que são insumos? Os insumos hospitalares são produtos, medicamentos do segmento médico e farmacêutico, fornecidos por fabricantes que por sua vez abastecem os distribuidores com conhecimentos e experiência no campo da medicina, os quais promovem soluções para diversos tipos de necessidades médicas. Produtos natural ou sintético necessário ao bom desempenho/resultado de algum tipo de equipamento ou serviços hospitalar. Óleos minerais para lubrificação e máquinas, gases ou alcoóis diversos.

A importância dos insumos no combate à Covid-19

O mundo nunca acompanhou as negociações de insumos hospitalares tão de perto. No início da pandemia do coronavírus, a população geral, que é majoritariamente leiga em assuntos sobre saúde, foi apresentada à potência dos respiradores. No momento posterior, aos testes de detecção do vírus. E agora, após um ano de pandemia, o foco está nas vacinas. O que todos esses processos têm em comum é a enorme importância de os hospitais e clínicas estarem devidamente equipados com os insumos necessários para o tratamento da Covid-19.

Os principais insumos necessários no combate ao coronavírus

A lista de insumos hospitalares é longa. Listamos algumas das principais ferramentas necessárias em hospitais e clínicas que oferecem tratamento para pacientes infectados com o coronavírus.

Os principais insumos são:

Respiradores
Medicamentos prontos
Princípios ativos de genéricos
Álcool em gel
Testes de detecção viral
Curativos
Material para uso em UTIs;
Material para exames de imagem
Sabonete
Material de limpeza.

Vale destacar os equipamentos de proteção individual. Os EPIs devem estar disponíveis a todos os colaboradores dos hospitais e clínicas – desde médicos e enfermeiros até o pessoal de limpeza e recepcionistas. São eles que garantem a segurança de quem tanto trabalhou na linha de frente do combate à doença.

Os principais EPIs para trabalhadores da saúde são:

Imagem de máscaras – Divulgação

Máscaras  cirúrgicas e N95
Luvas descartáveis
Aventais
Toucas
Sapatilhas
Protetores faciais
E, novamente, os tão essenciais álcool em gel e sabonete.

A preocupante falta de insumos no Brasil

Infelizmente, desde o início da pandemia, o Brasil sofreu e ainda agora sofre com falta de insumos e equipamentos.

Em abril de 2020, o Ministério da Saúde lançou a ”Localiza Sus”, uma plataforma online com os registros de dados referentes ao combate do coronavírus. Além dos números de casos e óbitos, também há painéis dedicados aos insumos como ventiladores, EPIs, testes, medicamentos, leitos, respiradores, e agora, também vacinas.

Em maio de 2020, o Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou o primeiro levantamento sobre o atendimento médico aos pacientes infectados com o coronavírus. O documento registra 17 mil denúncias de falta de insumos, medicamentos e equipamentos clínicos e de proteção individual.

A conscientização individual sobre a importância dos insumos hospitalares combate à pandemia da Covid-19 se dá em duas esferas: na cobrança e fiscalização dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, mas também em praticar o distanciamento social e seguir as diretrizes de biossegurança para diminuir o número de contágios, e assim, não sobrecarregar o sistema de saúde.

Agora que você está melhor informado sobre a tamanha importância dos insumos nos hospitais e clínicas atuando no combate da pandemia do coronavírus, você pode entender ao interesse da China no Brasil e porque do Brasil hoje depender da China no que diz respeito a matérias primas e insumos hospitalares.

Hoje o maior fornecedor de insumos para o Brasil é a China, mais por quê? Infelizmente o Brasil deixou de investir milhões na fabricação nacional de insumos, que sairia bem mais barato dentro da demanda de compra que hoje o país vem atravessando para manter em dia todos os insumos hospitalares. Em quatro décadas, Brasil reduz de 55% para 5% capacidade de produção de insumos farmacêuticos e hospitalares, abertura comercial e atraso tecnológico reduziram competitividade da indústria

Resumo da notícia

No Brasil, mais de 90% de todos os remédios acabados e princípios ativos de genéricos são trazidos de fora, fundamentalmente da China e da Índia

Apesar de ter o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, o Brasil investe muito pouco em pesquisa, desenvolvimento na área, fabricação de EPIs

A política de genéricos contribuiu para a dependência externa da indústria farmacêutica no país

Com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil tem o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo. Ainda assim, o país é extremamente dependente da importação de insumos e tecnologia no setor. Isso é resultado de décadas de políticas de incentivo à mera reprodução em vez do estímulo ao domínio do processo produtivo.

Mais de 90% de todos os medicamentos acabados, princípios ativos de genéricos, material de EPIs são trazidos de fora. Estes provêm fundamentalmente da China e da Índia. Não à toa que a União resolveu, logo no início da pandemia, zerar a alíquota da importação de produtos de combate ao coronavírus, ratificando a fragilidade da indústria brasileira no que diz respeito à produção de farmoquímicos.

João Batista Calixto, diretor do CIEnP (Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos), explica o porquê de considerar os medicamentos uma questão de segurança nacional: “Se houver o prolongamento de uma crise como a atual pandemia, a saúde pública pode ser diretamente comprometida. China e Índia podem, sim, ter dificuldades na produção e exportação de medicamentos de uso contínuo, o que nos afetaria diretamente. A falta deles pode matar tanto quanto uma pandemia viral. Nenhum país domina todo o processo, mas não faz sentido ficar importando drogas desenvolvidas cem anos atrás, como a tão falada cloroquina, por exemplo“.

O impacto financeiro é outro fator que inspira preocupação. O SUS (Sistema Único de Saúde) tem gastos crescentes com importação de medicamentos e insumos farmacêuticos. A alta do Dólar frente ao Real e a judicialização da saúde, com pessoas recorrendo à Justiça para garantir o direito a remédios caros para o tratamento de doenças crônicas, estão entre as explicações. Conforme dados do Ministério da Saúde, os valores dispendidos para compra desses materiais do exterior já gira em torno dos R$ 15 bilhões por ano. O SUS é, inclusive, responsável por aproximadamente 30% dos gastos do Brasil com medicamentos

Investimento seletivo Embora a janela de mercado no Brasil seja gigante, não há avanços criativos no setor. O brasileiro gastou mais de R$ 120 bilhões nas farmácias no ano passado, conforme dados da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias). Por isso, a indústria farmacêutica é um setor estimulado financeiramente por empresas, BNDES, Finep (agência pública financiadora de estudos e projetos) e pela lei do bem —que concede incentivos fiscais às companhias que investem em inovação.

A falta de investimento no setor contribuiu para uma crise política que cuminou em desvios de verbas, licitações obscuras e um crescimento da corrupção em meio a pandemia de coronavírus em alguns Estados como o Rio de Janeiro. O cenário era bem diferente há 40 anos quando o Brasil se aproximou da autossuficiência na fabricação de medicamentos, segundo a Abiquifi.

Imagem de medicamentos prontos – Divulgação

O Brasil chegou a produzir, nos anos 1980, 55% dos insumos farmacêuticos consumidos no país. Hoje, produz apenas 5%, segundo dados da Abiquifi (Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos).

A partir dos anos 1990, a redução de tarifas por causa da abertura comercial barateou os importados, e as empresas brasileiras não acompanharam o preço dos insumos estrangeiros.

Esse movimento de abertura comercial ocorreu em toda a América do Sul, mas não ocorreu na Ásia. Em um primeiro momento, o fabricante brasileiro teve que baixar o preço para competir, mas isso não se sustentou. Como consequência, houve aumento da nossa dependência do setor externo”, explica Paulo Feldmann, professor de economia da USP (Universidade de São Paulo).

Ao mesmo tempo em que as empresas brasileiras competiam com as de fora, tmedidas de proteção à produção interna de IFA (ingrediente farmacêutico ativo), utilizado na produção de vacinas, foram extintas.

Atualmente, China e a Índia são responsáveis por 74% da importação de IFA necessário para a fabricação da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, e da Oxford/AstraZeneca, fabricada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O restante é importado, principalmente, de Alemanha, Itália, Estados Unidos e Suíça, segundo a Abiquifi.

O Brasil não produz mais nenhum antibiótico. O que estamos vivendo na ciência, com essa dificuldade de insumos, não é uma questão pontual. O Brasil nunca trabalhou na vanguarda, sempre menosprezou a própria capacidade tecnológica”, diz Norberto Prestes, presidente-executivo da associação.

Segundo Antônio Corrêa de Lacerda, diretor da faculdade de economia da PUC-SP, diz que houve uma sucessão de erros durante a abertura comercial.

Houve concorrência enviesada que propiciou um aumento de produtos importados de forma insustentável. Com a mudança tarifária, ficou mais barato importar um produto final em vez de obter insumos para a produção. Como resultado, o país teve aumento de dependência de importação e um processo de desindustrialização”, ressalta.

Para Renato Kfouri, diretor da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), embora o Brasil seja referência no Programa Nacional de Imunização, faltou ao país uma visão de longo prazo para situações emergenciais, incluindo uma pandemia ou um desastre natural.

Ao mesmo tempo que a gente tem grandes laboratórios, técnicos bem formados e capacitados, não há um grande investimento. Acabamos ficando muito dependentes do mercado internacional, que normalmente tem preços muito baratos”, disse.

O presidente-executivo da Abiquifi também aponta a falta de investimento em inovação como um dos motivos para a falta de produção de insumos.

A gente não tem uma política pública de incentivo à produção nacional, não tem premiação para isso. O governo poderia incentivar: ‘quanto mais pesquisa você fizer, mais eu vou premiar, eu compro de você o que for inédito, eu ajudo você a investir”, afirma.

A falta da tecnologia necessária para a produção de testes da vacina obrigou a Farmacore a fazer uma parceria com uma empresa americana. A startup brasileira, com sede em Ribeirão Preto (SP), está desenvolvendo um imunizante brasileiro contra o coronavírus.

Nosso maior entrave foi na hora de produzir o lote piloto da vacina, porque o Brasil não tem capacidade instalada para produzir os testes em fase 1. Como o país não tem essa tradição, tivemos que fazer essa produção nos Estados Unidos”, afirma Helena Faccioli, presidente da Farmacore.

A intenção agora é trazer essa tecnologia para o Brasil por meio de processo de transferência e produzir nacionalmente todos os insumos”, diz.

Um movimento nessa direção foi a criação, pelo MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), da Rede Vírus. O projeto envolve unidades de pesquisa, institutos de ciência e tecnologia e laboratórios que, em conjunto, atuam na produção de conhecimento sobre o coronavírus.

O Instituto Butantan começou, em novembro de 2020, a construição de um laboratório especializado para a produção do IFA. As obras devem ser concluídas no fim de setembro.

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